Fátima, Batalha, Nazaré e Tomar ficam todos a menos de duas horas de Lisboa, e a poucos minutos uns dos outros. É por isso que aparecem sempre juntos na cabeça de quem quer sair da capital por um dia. Três deles são Património Mundial da UNESCO, o quarto tem as maiores ondas do planeta, e o conjunto cabe num raio pequeno do mapa. A pergunta certa não é se dá para ver tudo. É o que você quer sentir nesse dia, porque a resposta muda o roteiro.
Resposta rápida: Fátima, Batalha e Nazaré fazem-se com calma num só dia saindo de Lisboa. Quando se acrescenta Tomar, o dia fica cheio e cada paragem encolhe para meia hora de fotografia. A nossa recomendação honesta é escolher três das quatro. Abaixo estão as distâncias reais e dois roteiros que funcionam.
Onde fica cada um, e a que distância
| Trajeto | Distância | Tempo de carro |
|---|---|---|
| Lisboa a Fátima | cerca de 130 km | cerca de 1h20 |
| Fátima a Batalha | cerca de 20 km | cerca de 15 min |
| Batalha a Alcobaça | cerca de 20 km | cerca de 20 min |
| Batalha a Nazaré | cerca de 30 km | cerca de 25 min |
| Fátima a Tomar | cerca de 35 km | cerca de 30 min |
| Nazaré a Lisboa | cerca de 125 km | cerca de 1h20 |
| Tomar a Lisboa | cerca de 140 km | cerca de 1h30 |
Repare no que a tabela mostra: as paragens estão perto umas das outras, mas Tomar fica do lado oposto a Nazaré. Fátima é o centro da roda. Ir a Tomar e depois à Nazaré significa atravessar a região duas vezes, e é aí que o dia se desfaz.
Fátima, o coração do dia
Fátima é a razão pela qual a maioria das pessoas sobe até esta região. O Santuário é uma praça enorme, silenciosa mesmo cheia, com a Capelinha das Aparições construída no lugar exato de 1917 e a basílica onde repousam os três pastorinhos. Fora do recinto ficam Aljustrel, a aldeia onde as crianças nasceram, e os Valinhos, os campos onde guardavam as ovelhas. Duas a três horas chegam para ver tudo com calma.
Uma nota que muda tudo: a parte mais bonita de Fátima acontece à noite, na Procissão das Velas. Se essa é a sua prioridade, o dia inteiro tem de ser desenhado ao contrário, com as outras paragens de manhã e a chegada ao Santuário ao entardecer. Escrevemos sobre isso em como ir de Lisboa a Fátima.
Batalha, o mosteiro que agradece uma vitória
O Mosteiro da Batalha fica a quinze minutos de Fátima e é, para muita gente, a surpresa do dia. Foi mandado construir para agradecer a vitória de Aljubarrota, em 1385, e demorou mais de um século a erguer. É Património Mundial desde 1983. Por dentro tem o claustro real rendilhado, o túmulo dos Soldados Desconhecidos e, sobretudo, as Capelas Imperfeitas: uma rotunda majestosa que ficou por acabar e continua aberta ao céu. Uma hora chega para uma visita boa. Uma hora e meia, se gostar de arquitetura.
Nazaré, o mar como poucas vezes se vê
A Nazaré tem duas partes e vale conhecer as duas. Em baixo, a praia larga e o casario da vila de pescadores. Em cima, o Sítio, que se alcança por um funicular curto e entrega um miradouro sobre o Atlântico que se guarda na memória. É ali que fica o santuário de Nossa Senhora da Nazaré, ligado à lenda de Dom Fuas Roupinho e do cavalo travado à beira da falésia.
Mesmo ao lado está a Praia do Norte, onde o canhão submarino levanta as ondas gigantes que puseram a vila nos noticiários do mundo inteiro e onde se bateram recordes mundiais de surf. Só que há um detalhe que ninguém conta a tempo: as ondas monstruosas são um fenómeno de inverno, sobretudo entre outubro e março, e mesmo nesses meses dependem da ondulação do dia. No verão o mar está calmo e a vista continua linda, mas não espere a parede de água das fotografias. Conte com uma hora e meia a duas horas, almoço de peixe incluído.
Tomar, a cidade dos Templários
Tomar é a paragem que quase ninguém encaixa e de que quase toda a gente gosta. O Convento de Cristo, no alto da colina, nasceu castelo templário no século XII e foi crescendo durante quinhentos anos, o que faz dele um resumo de arquitetura portuguesa dentro de um só edifício. O centro é a Charola, o oratório redondo dos Templários, e a peça mais fotografada é a janela do capítulo, manuelina, com as cordas e os corais esculpidos na pedra. Também é Património Mundial desde 1983. Precisa de duas horas para não sair a correr, e a subida até ao convento leva o seu tempo.
Alcobaça, o quarto mosteiro que ninguém planeia
Entre Batalha e Nazaré fica Alcobaça, com o seu mosteiro cisterciense e os túmulos de D. Pedro e D. Inês de Castro, colocados pé com pé para que, diz a história, se olhem ao levantar no dia do juízo. É a história de amor mais contada de Portugal, também Património Mundial, e fica exatamente no caminho. Se o dia estiver a correr bem, é uma paragem de quarenta minutos que vale cada minuto.
Dois roteiros que funcionam mesmo
1. A rota da fé, Fátima, Batalha e Nazaré
Saída de Lisboa de manhã cedo, Fátima até meio da manhã, Batalha antes do almoço, almoço de peixe na Nazaré e a tarde entre a praia e o miradouro do Sítio. Regresso a Lisboa ao fim da tarde. É o dia mais equilibrado dos dois, junta fé, história e mar, e ninguém olha para o relógio. É exatamente o desenho do nosso roteiro Rota da Fé.
2. A rota dos mosteiros, Fátima, Batalha e Tomar
O mesmo começo, mas em vez de descer ao mar sobe-se ao interior, para o Convento de Cristo. Três monumentos, três séculos diferentes, quase nenhum trânsito e muito menos turistas do que na Nazaré. É a escolha certa para quem gosta de história e de arquitetura, e para quem já conheceu a costa noutra viagem. Montamos este dia como tour privado personalizado.
E se insistir nos quatro, fazemos. Só temos de sair de Lisboa mais cedo e aceitar que Nazaré fica reduzida a um miradouro e a um café. Preferimos dizer isto antes, e não no fim do dia.
E de transporte público, dá?
Num só dia, honestamente, não. Há autocarros de Lisboa para Fátima, para a Nazaré e para Tomar, mas as ligações entre estas vilas são pensadas para quem mora ali e não para quem visita. Você passaria o dia a esperar em terminais e chegaria a uma ou duas paragens, não a três. De carro alugado é possível, com a atenção de que o estacionamento junto ao Convento de Cristo e no Sítio da Nazaré fica complicado em agosto.
Como fazemos este dia
Vamos buscá-lo ao hotel, em Lisboa, Cascais, Estoril ou Sintra, num carro só para o seu grupo. Sem paragens em lojas, sem esperar por trinta desconhecidos, sem alterar a ordem porque outra pessoa quis. Se quiser ficar mais tempo na Batalha e cortar quinze minutos noutro lado, corta-se. O guia é português, conta a história como quem conta a um amigo, e o preço é por grupo e não por pessoa, o que muda muita coisa quando se viaja em família.
Diga-nos as suas datas, quantas pessoas são e o que mais quer ver. Respondemos depressa no WhatsApp e desenhamos o dia à sua volta, com a ordem certa das paragens e sem correria.