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Os melhores bate-voltas de Lisboa: 7 destinos a menos de duas horas

Lisboa tem uma vantagem rara: quase tudo o que Portugal tem de melhor está a menos de duas horas. O difícil não é chegar, é escolher, e escolher mal custa um dia inteiro.

Poucas capitais europeias estão tão bem colocadas como Lisboa. Num raio de duas horas cabe um palácio no meio da névoa, o santuário mais visitado do país, uma vila medieval inteira dentro de muralhas, a maior onda do mundo, uma serra que cai a pique sobre água turquesa e uma cidade romana no meio do Alentejo. Quase toda a gente tem tempo para dois ou três destes destinos. Quase ninguém sabe quais escolher.

Este guia não é uma lista para impressionar. É o que dizemos aos nossos viajantes quando perguntam, e inclui o que costuma correr mal em cada sítio.

Distâncias reais a partir de Lisboa

DestinoDistânciaDe carroTempo que pede
Sintracerca de 30 km40 mindia inteiro
Cascais e Cabo da Rocacerca de 30 km40 minmeio dia
Serra da Arrábida e Sesimbracerca de 45 km50 minmeio dia a dia inteiro
Óbidoscerca de 85 km1hmeio dia
Fátimacerca de 130 km1h20meio dia ou uma noite
Nazaré e Batalhacerca de 125 km1h20dia inteiro
Évoracerca de 135 km1h30dia inteiro

1. Sintra, o obrigatório que quase toda a gente faz mal

Se só tiver um dia fora de Lisboa, é este. Sintra é uma serra húmida cheia de palácios improváveis: a Pena, com as suas cores impossíveis no cimo do monte, a Quinta da Regaleira e o seu poço iniciático, o Palácio Nacional com as duas chaminés cónicas, o Castelo dos Mouros a olhar tudo de cima.

O erro clássico é querer ver quatro coisas e acabar a ver filas. A estrada da serra é estreita, o estacionamento é escasso e os bilhetes da Pena com hora marcada esgotam dias antes no verão. Dois palácios por dentro, com calma, rendem muito mais do que quatro a correr. Escrevemos o plano completo em Sintra num dia, e temos o roteiro Palácios de Sintra montado exatamente assim, com o Cabo da Roca e Cascais no fim da tarde.

2. Cascais e o Cabo da Roca, o meio dia mais fácil

A estrada marginal que sai de Lisboa e acompanha o Tejo até ao mar é uma das mais bonitas do país, e ao fim dela está Cascais: uma vila de pescadores que virou destino de reis e que continua a dar-se bem com quem só quer um almoço à beira-mar e uma tarde sem plano.

A poucos minutos fica o Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa continental, com falésias a pique sobre o Atlântico e vento quase sempre. Leve casaco mesmo em agosto. É o bate-volta ideal para um primeiro dia, para quem viaja com crianças ou para quem quer o mar sem grandes deslocações.

3. Arrábida e Sesimbra, o segredo que os lisboetas guardam

Do outro lado do Tejo, a Serra da Arrábida cai sobre praias de água transparente que não parecem portuguesas. Sesimbra é uma vila de peixe fresco com um castelo por cima, e o Portinho da Arrábida tem a cor de mar que as pessoas vão procurar ao Algarve.

É o destino menos turístico desta lista e o mais dependente do tempo: com sol é dos lugares mais bonitos do país, com nevoeiro perde metade da graça. No verão, o acesso ao Portinho é limitado e convém ir cedo. Fica bem combinado com Setúbal, para almoçar choco frito, que é o prato da terra.

4. Óbidos, a vila inteira dentro de muralhas

Óbidos é pequena, e é essa a graça. Uma rua principal de casas caiadas com barras azuis e amarelas, buganvílias, muralhas que se percorrem a pé com vista sobre o campo, e a ginjinha servida num copo de chocolate. Vê-se bem em duas ou três horas.

Por ser tão compacta, enche depressa: ao meio-dia em agosto a rua principal é uma fila humana. De manhã cedo ou ao fim da tarde é outra vila. Combina bem com uma passagem por Peniche ou pela Nazaré no mesmo dia, e aparece no nosso hub de Sintra e Óbidos.

5. Fátima, o destino que muda conforme a hora a que chega

Fátima é o bate-volta mais procurado a partir de Lisboa e, ironicamente, o mais mal aproveitado. A maioria chega de autocarro ao meio-dia, fica trinta minutos na esplanada, tira uma fotografia da basílica e vai embora sem perceber o que ali acontece.

O Santuário pede duas a três horas, e Aljustrel e os Valinhos, fora do recinto, são a parte que quase ninguém vê. E depois há a noite: a Procissão das Velas, com milhares de chamas na praça às escuras, é a razão pela qual as pessoas voltam. Temos três leituras sobre isto: como chegar, o que ver no Santuário e a procissão explicada. Quem quer viver a noite vai no Fátima à Noite.

6. Nazaré e Batalha, fé, história e a maior onda do mundo

Estes dois costumam andar de mãos dadas com Fátima, e com razão: ficam a quinze e a vinte e cinco minutos dali. O Mosteiro da Batalha é Património Mundial e uma das obras mais impressionantes do gótico português, com as Capelas Imperfeitas abertas ao céu. A Nazaré tem a vila de pescadores em baixo, o miradouro do Sítio em cima e, ao lado, a Praia do Norte, onde o canhão submarino levanta as ondas gigantes que bateram recordes mundiais.

Uma nota honesta sobre as ondas: são fenómeno de inverno, sobretudo entre outubro e março. No verão o mar está calmo e a vista continua a valer a viagem, mas não é a parede de água das fotografias. Os três juntos são o nosso roteiro Rota da Fé, e explicamos as combinações possíveis em Fátima, Batalha, Nazaré e Tomar num dia.

7. Évora, o Alentejo em versão concentrada

Évora é a mais longe da lista e a que menos gente faz, e é uma pena. Dentro das muralhas há um templo romano de pé há quase dois mil anos, uma catedral que se sobe até ao terraço, ruas brancas com cunhais amarelos e a Capela dos Ossos, que não se esquece.

À volta ficam o vinho alentejano, o azeite e uma comida que é das melhores do país. É o destino certo para quem já viu Sintra, quer sair do circuito habitual e não se importa de somar três horas de estrada no total. Montamos este dia como tour privado personalizado.

Como escolher, conforme os dias que tem

Se temEscolhaPorquê
1 dia fora de LisboaSintraÉ único no mundo e não se repete em mais lado nenhum
2 diasSintra e FátimaDois lados opostos de Portugal, o palácio e o silêncio
3 diasSintra, Fátima com Nazaré e Batalha, e ArrábidaSerra, fé e mar, sem repetir paisagem
4 dias ou maisAcrescente Évora e ÓbidosAlentejo e vila medieval fecham o retrato do centro do país

De transporte público ou de carro?

Sintra e Cascais fazem-se muito bem de comboio a partir de Lisboa, com partidas frequentes de Rossio e do Cais do Sodré. Óbidos e Fátima têm autocarros diretos e razoáveis. A partir daí, a coisa complica-se: combinar dois destinos no mesmo dia, chegar à Arrábida, ou ficar em Fátima para a procissão sem depender do último autocarro, é onde o transporte público deixa de colaborar.

É também aí que faz sentido um tour privado: não pela estrada, que é simples, mas pelo tempo que se ganha e pela ordem certa das paragens.

Vamos desenhar os seus dias

Diga-nos quantos dias tem em Lisboa, quantas pessoas são e o que já viu. Respondemos depressa no WhatsApp e montamos os bate-voltas na ordem certa, sem correria e sem repetir paisagem.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor bate-volta a partir de Lisboa?

Sintra, se for só um. É o mais único e o mais próximo, a cerca de quarenta minutos de carro. Se já conhece Sintra, o passo seguinte costuma ser Fátima com Batalha e Nazaré, ou a Serra da Arrábida no verão.

Dá para fazer dois destinos no mesmo dia?

Depende de quais. Sintra com Cascais e Cabo da Roca funciona bem, tal como Fátima com Batalha e Nazaré, ou Óbidos com Nazaré. Já Sintra com Fátima, ou Évora com qualquer outro, obriga a demasiada estrada para render.

É preciso alugar carro para fazer bate-voltas de Lisboa?

Não para Sintra e Cascais, que têm comboio frequente e barato, nem para Óbidos e Fátima, que têm autocarros diretos. É praticamente obrigatório para a Arrábida, para combinar dois destinos no mesmo dia ou para ficar em Fátima até à noite.

Quantos dias em Lisboa para conseguir fazer bate-voltas?

Com quatro ou cinco dias na cidade dá para fazer dois passeios fora sem sacrificar Lisboa. Com uma semana, três a quatro. Menos do que quatro dias e vale mais a pena conhecer bem a capital e escolher só Sintra.

Qual é o melhor bate-volta com crianças?

Cascais e o Cabo da Roca, por ser meio dia, com praia e sem longas caminhadas. A seguir, Óbidos, que é pequena, murada e fácil de percorrer, e a Nazaré pelo funicular e pelo mar.

Qual é o melhor destino no inverno?

A Nazaré, para ver as ondas gigantes, que são fenómeno de outubro a março. Fátima e Óbidos também rendem bem no inverno por serem menos dependentes do sol. A Arrábida deixe para os meses de calor.

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